Ribeirão Preto, com seus 720 mil habitantes e altitude média de 546 metros sobre o Planalto Ocidental Paulista, apresenta um desafio peculiar para o projeto de pavimento flexível: os solos arenosos finos da Formação Botucatu, que em condições de umidade controlada oferecem excelente capacidade de suporte, mas podem sofrer colapso estrutural quando saturados. O dimensionamento de pavimento flexível na região exige uma caracterização geotécnica criteriosa do subleito, combinando ensaios de granulometria para identificar a fração fina com o ensaio CPT para mapear variações de resistência em profundidade. Complementamos a campanha de sondagens com coleta de amostras indeformadas para ensaios triaxiais, obtendo os parâmetros de resistência ao cisalhamento que alimentam os modelos de análise mecanística. O comportamento resiliente desses solos tropicais não lateríticos é o ponto de partida para qualquer projeto de pavimento que pretenda atingir a vida útil de projeto sem deformações permanentes excessivas.
O colapso dos solos da Formação Botucatu sob saturação é o mecanismo de ruína mais subestimado em pavimentos de Ribeirão Preto — e o que mais gera trincas de bordo e afundamentos plásticos nas trilhas de roda.



